Sport aciona FPF para garantir presença de torcida visitante no clássico contra o Náutico

Clube alega que veto aos visitantes fere a Lei Geral do Esporte; medida restritiva vigora desde os episódios de violência generalizada ocorridos em 2025.

Divulgação: Internet

O Sport protocolou, no último domingo (11), um ofício junto à Federação Pernambucana de Futebol (FPF) exigindo a presença de sua torcida no estádio dos Aflitos, no próximo dia 18 de janeiro. A partida contra o Náutico, válida pela 3ª rodada do Estadual, está atualmente configurada para ocorrer apenas com torcedores alvirrubros, uma restrição que o Departamento Jurídico do Leão classifica como ilegal.

No documento, o clube rubro-negro fundamenta seu pedido no artigo 143 da Lei Geral do Esporte (Lei Federal nº 14.597/2023) e no artigo 128 do Regulamento Geral das Competições (RGC) da FPF para a temporada 2026. A argumentação jurídica sustenta que impedir o acesso dos visitantes viola o “princípio do equilíbrio na competição”, um dos pilares do Direito Desportivo, ao privar uma das equipes do apoio de sua torcida nas arquibancadas.

A origem da restrição

Foto: Paulo Paiva/Sport

O pedido do Sport desafia uma determinação de segurança pública e desportiva implementada após um dos capítulos mais tristes do futebol pernambucano. A política de “torcida única” nos clássicos foi decretada por Evandro Carvalho, presidente da FPF, como resposta direta à barbárie registrada no dia 1º de fevereiro do ano passado, por conta do confronto entre Santa Cruz e Sport, no estádio do Arruda.

Naquela ocasião, o Recife presenciou cenas de extrema violência que culminaram em 13 pessoas feridas,  levadas ao Hospital da Restauração  e outras 13 detidas pela polícia. O episódio foi marcado não apenas por agressões físicas, mas também por denúncias de crimes sexuais coletivos durante o tumulto.

Investigações da Delegacia de Polícia de Repressão à Intolerância Esportiva (DPRIE) revelaram, à época, que os conflitos haviam sido premeditados. O relatório policial apontou que integrantes de organizadas utilizaram as redes sociais para agendar as “pistas” (como são chamados os locais de briga), disseminando ódio e marcando confrontos em bairros distantes do estádio do Arruda, como Iputinga, Torre e Madalena.

O impasse entre segurança e direito

Foi diante desse cenário de “guerra urbana” que Evandro Carvalho, optou pela medida drástica. A FPF defendeu, em comunicado oficial, que a torcida única seria a “alternativa mais eficaz” para conter a violência sem ter que recorrer a jogos de portões fechados, o que penalizaria todos os torcedores.

Além da decisão da Federação, o Governo de Pernambuco chegou a intervir, anunciando punições severas, como a proibição das organizadas de Santa Cruz e Sport por cinco jogos. Enquanto o Tricolor não se opôs publicamente à sanção governamental na época, tanto o Sport quanto a FPF manifestaram discordância quanto àquela punição específica.

Agora, com o Clássico dos Clássicos se aproximando, o Sport tenta reverter o cenário nos tribunais desportivos, buscando provar que a segurança não pode se sobrepor ao regulamento que garante a isonomia da disputa dentro das quatro linhas. Caberá à FPF decidir se mantém a rigidez da medida de segurança ou se acata o pedido jurídico do Leão.

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